Um
momento ímpar na história da humanidade se aproxima, as horas se
esvaem como areia em queda na ampulheta, o final de ano traz grandes
mudanças e expectativas a todos os Homens do planeta, todos os
avisos já foram dados e os sinais estão claros para qualquer um que queira ver. Em breve nos encontraremos com ele e seremos julgados por
nossos pecados... Aí, se tivermos sido bons garotos vamos ganhar um
lindo presente!
Como?!
Ué, você achou que eu estava falando do quê? É claro que do
Natal! E ele é o Papai Noel (afinal se fosse Deus, Ele começaria
com maiúscula). O quê foi? Você não acredita em Papai Noel? Mas
acredita que o mundo vai acabar no próximo dia 21? Pois dá no
mesmo!
Ora,
que me desculpem os mais crédulos e os místicos de plantão que
alimentam toda esta credulidade mas vou ser direto: como ainda é
possível se acreditar em algo como profecias apocalípticas
pré-colombianas depois de tantos fiascos com profecias apocalípticas
anteriores (ou será que já esqueceram da entrada do ano 2000).
Como
é possível ainda fomentar tais ideias em um século onde a
tecnologia e o conhecimento científico permite que fabriquemos
material genético artificial, que criemos órgãos artificiais, que
desintegremos átomos até as partículas mais elementares, que nos
comuniquemos planetariamente em tempo real, que enviemos objetos não
tripulados ao espaço profundo e coletemos informações sobre
planetas fora de nosso sistema solar, entre toda uma vasta lista de
avanços e benesses que só não cito aqui por medo de tornar o texto
longo demais.
De
certo que a contra-argumentação ao meu discurso logo surge na forma
de uma longa e entediante falácia sobre o embasamento histórico e
arqueológico em torno de uma obscura profecia, sinais numerológicos,
sinais da natureza, posicionamento de astros, códigos secretos na
Bíblia, na Torah e até textos de Nostradamus (é, ele é figurinha
fácil e sempre se dá um jeito de encaixá-lo nestes momentos).
Bem,
como disse não vou tornar este texto gigantesco tentando
contra-contra-argumentar... ao menos não de uma vez. É, vou fazê-lo
como se administra uma medicação muito forte, em doses pequenas e
constantes, até que a doença seja erradicada ou ao menos tenha seus
sintomas controlados e estabilizados. Faltando pouco mais de nove
dias e já não suportando mais tamanha histeria (reforçada a cada
dia pela mídia de massa que se aproveita da situação de várias
maneiras), decidi contribuir, ou bagunçar de vez, com esse debate.
Espero que se unam a mim nesta missão hercúlea.
Aliás,
o dia para começar é bem cabalístico, visto que é 12/12/12 e se
esta data for invertida teremos 21/21/21, ou seja, o dia do suposto
fim repetido 3 vezes (opa, três representa a trindade presente em
todas as grandes tradições religiosas). Aliás, se você somar os
dígitos que formam o dia de hoje o resultado é 3, se somar os
dígitos que formam o mês o resultado é 3 e se somar os finais do
ano, também se obtêm 3. Três repetido três vezes, ou melhor, três
ao cubo que é igual a nove o qual também é carregado de uma série
de significados místicos (os quais vou reservar como surpresa para
aqueles que desejarem pesquisar o tema por conta própria). Mais
cabalístico do que isso, só se eu tivesse postado este texto às 12
horas e 12 minutos de hoje, mas como trabalho de verdade (ao
contrário dos místicos de plantão já mencionados) só pude
fazê-lo agora.
Alguns
devem ainda estar pensando: quantas coincidências numéricas!
Sinistro! Não mais sinistro do que acreditar que alguém possa
descer por sua chaminé para te trazer presentes ao invés de te
pilhar a casa, que coelhos te tragam ovos ao invés de mais coelhos
(muito mais), que o Homem nunca tenha pisado na Lua, que movimentos
planetários possam gerar campos de energia que se desloquem pelo
espaço mais rápido que a luz e cheguem em nossas mentes
influenciando no humor das pessoas, que mesmo com todas as mudanças
de calendário promovidas ao longo de séculos ainda estejamos
comemorando o nascimento de Jesus, Nosso Salvador, no dia correto...
Ufa!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário